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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Morte e vida severina (animação baseada na obra de João Cabral de Melo N...

Desenho Animado da Obra Vidas Secas

Literatura e Escritores no Enem


Literatura e escritores no Enem

Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira estão entre os mais requisitados escritores no Enem.

Por Luana Castro Alves Perez

Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira estão entre os poetas mais requisitados pelo Enem.

Alguns escritores são figurinhas facilmente encontradas na prova de Linguagens e Códigos do Enem. Basta fazer um levantamento desses quinze anos de Exame Nacional do Ensino Médio para descobrir que perguntas sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade e de Manuel Bandeira nem são mais tão surpreendentes assim. Pensando nisso, o Vestibular Brasil Escola traz para você dicas sobre literatura e escritores no Enem.
Mas por que a reincidência desses escritores nas provas? Dada a relevância da obra de Carlos Drummond de Andrade e de Manuel Bandeira, nada mais justo do que torná-los objeto de análise e estudo. Observe as características das obras de cada um dos escritores, elemento necessário para responder corretamente às questões:
Carlos Drummond de Andrade no Enem e o que o candidato deve saber:
    As quatro fases da poesia drummondiana:
Fase gauche;
Fase social;
Fase filosófica/nominal,
Fase final, também conhecida como fase de memórias.
    O engajamento social e político do poeta está refletido na Fase social, que compreende os anos de 1937 a 1945. O Enem é conhecido por cobrar de seus candidatos uma postura ética, humanista e cidadã, por isso a preferência pelos poemas dessa fase. Os livros que a representam são “A Rosa do Povo”, “Sentimento do mundo” e “Alguma Poesia”. Observe a questão sobre Carlos Drummond de Andrade no Enem de 2009:
Confidência do Itabirano
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e
[comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e
[sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.

Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com seus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, como se percebe claramente na construção do poema Confidência do Itabirano. Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acima
a) representa a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização de expressões e usos linguísticos típicos da oralidade.
b) apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de fatos e dados históricos.
c) evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagens que representam a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição do indivíduo.
d) critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia em comparação com as prendas resgatadas de Itabira.
e) apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da infância e do amor pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.
Resolução: Alternativa “c”. É possível observar a tensão entre o “eu” e a sua comunidade através da análise dos versos “Itabira é apenas uma fotografia na parede./ Mas como dói!
Manuel Bandeira no Enem e o que o candidato deve saber: 
    Características da obra de Manuel Bandeira:
Paixão pela vida;
Morte;
Amor;
Erotismo;
Solidão;
Angústia;
Cotidiano,
Infância.
    As questões sobre Manuel Bandeira normalmente estão associadas à participação do poeta no movimento Modernista, bem como aos aspectos líricos e formais de seus poemas. Observe a questão sobre Manuel Bandeira no Enem de 2011:
Estrada
Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.
BANDEIRA, M. O ritmo dissoluto. Rio de Janeiro: Aguilar, 1967
A lírica de Manuel Bandeira é pautada na apreensão de significados profundos a partir de elementos do cotidiano. No poema Estrada, o lirismo presente no contraste entre campo e cidade aponta para
a) desejo do eu lírico de resgatar a movimentação dos centros urbanos, o que revela sua nostalgia com relação à cidade.
b) a percepção do caráter efêmero da vida, possibilitada pela observação da aparente inércia da vida rural.
c) a opção do eu lírico pelo espaço bucólico como possibilidade de meditação sobre a sua juventude.
d) a visão negativa da passagem do tempo, visto que esta gera insegurança.
e) a profunda sensação de medo gerada pela reflexão acerca da morte.
Resolução: Alternativa “b”. O eu lírico retoma a oposição conceitual entre campo e cidade, deixando clara sua visão de que o campo é superior à cidade. A vida campestre possibilita que o eu lírico possa refletir sobre sua vida, mesmo porque nela a calmaria prevalece, diferentemente do que acontece na cidade, com um ritmo de vida totalmente diverso. A vida pacata permite que o eu lírico perceba a efemeridade da vida.
Fonte:http://vestibular.brasilescola.com/enem/literatura-escritores-no-enem.htm

Textos literários no Enem


Textos literários no Enem

A Literatura está inscrita na prova de Linguagens e Códigos, cobrando do candidato uma visão ampla e crítica sobre os textos literários no Enem.

Por Luana Castro Alves Perez

Conhecer diferentes contextos históricos e aspectos da composição do texto literário é fundamental para compreender a Literatura no Enem.

Entender como a Literatura é cobrada no Exame Nacional do Ensino Médio é muito importante para quem quer alcançar uma boa nota. Uma das áreas de conhecimento exigidas na prova de Linguagens e Códigos, a Literatura está inscrita nas questões de interpretação e compreensão da prova. Para aprender um pouco mais, confira a dica sobre textos literários no Enem do Vestibular Brasil Escola.
No Enem, não basta conhecer as “escolas literárias”, suas características e diversos autores: o candidato que quiser se sair bem nas questões ligadas à Literatura deve mostrar que sabe relacionar os textos apresentados (sejam eles poemas, fragmentos de crônicas e contos) a um determinado contexto histórico, social e político, bem como domínio sobre as diferenças entre a linguagem literária e a não literária. Além de cobrar do candidato uma visão crítica sobre a Literatura, o exame exige também um bom conhecimento sobre os mecanismos que envolvem a construção do texto literário (tipo de texto permeado pela linguagem literária), como as técnicas narrativas, figuras efunções da linguagem. Vale lembrar também que a linguagem não literária geralmente não está associada às questões de Literatura, mas sim às questões que analisam a língua portuguesa e seus mecanismos. Para entender melhor nossa dica para a prova de Linguagens e Códigos, observe a abordagem dada pelo Enem aos textos literários:
Exercícios Resolvidos – Enem 
Questão 105 – Enem 2013
Olá! Negro 
Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos
e a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor tentarão apagar a tua cor!
E as gerações dessas gerações quando apagarem a tua tatuagem execranda,
não apagarão de suas almas, a tua alma, negro!
Pai-João, Mãe-negra, Fulo, Zumbi,
negro-fujão, negro cativo, negro rebelde
negro cabinda, negro congo, negro ioruba,
negro que foste para o algodão de USA
para os canaviais do Brasil,
para o tronco, para o colar de ferro, para a canga
de todos os senhores do mundo;
eu melhor compreendo agora os teus blues
nesta hora triste da raça branca, negro!
Olá, Negro! Olá, Negro!
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro! 
LIMA, J. Obras completas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958 (fragmento).   
O conflito de gerações e de grupos étnicos reproduz, na visão do eu lírico, um contexto social assinalado por
a) modernização dos modos de produção e consequente enriquecimento dos brancos.
b) preservação da memória ancestral e resistência negra à apatia cultural dos brancos.
c) superação dos costumes antigos por meio da incorporação de valores dos colonizados.
d) nivelamento social de descendentes de escravos e de senhores pela condição de pobreza.
e) antagonismo entre grupos de trabalhadores e lacunas de hereditariedade.
Comentário da questão: 
Fica explícito, no poema de Jorge de Lima, o engajamento social do escritor ao escolher um tema que dialoga com a realidade dos negros no Brasil. É possível observar grande preocupação com a questão da discriminação racial, oriunda de um triste episódio de nossa História: a escravidão e o tráfico negreiro. Jorge defende em seu poema a preservação da identidade cultural dos negros, sobretudo no verso “não apagarão de suas almas, a tua alma, negro!”, que aponta para a ideia de resistência negra à apatia cultural dos brancos.
Resolução da questão: Alternativa “b”.
Questão 111 – Enem 2013
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
[...]
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos antecedentes.
LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro:  Rocco, 1998 (fragmento).
A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador
a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens.
b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.
c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.
d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.
e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

Comentário da questão:  
Na questão sobre o fragmento do livro “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, podemos perceber a preocupação em abordar os aspectos relacionados com a composição do texto literário. A peculiaridade da voz narrativa de Clarice mostra as reflexões existenciais do sujeito em crise e também uma técnica de construção do discurso muito presente na linguagem da escritora, na qual a personagem deixa de narrar para fazer reflexões acerca do próprio comportamento. Essa técnica é chamada de “fluxo de consciência”.
Resolução da questão: Alternativa “c”. 
Fonte: http://vestibular.brasilescola.com/enem/textos-literarios-no-enem.htm

Dicas de Literatura para o Enem


Dicas de Literatura para o Enem

A prova de Literatura do Exame Nacional do Ensino Médio apresenta algumas especificidades. Fique atento às dicas de Literatura para o Enem.

Por Luana Castro Alves Perez

Para aproveitar melhor nossas dicas de Literatura para o Enem, lembre-se de que é fundamental ter conhecimento prévio sobre o assunto abordado.

A prova de Literatura do Enem está inclusa na matriz Linguagem, Códigos e suas Tecnologias. Como o Exame Nacional do Ensino Médio apresenta uma maneira peculiar de abordar as diversas disciplinas, com a língua portuguesa não seria diferente. Para ficar em dia com os estudos, confira importantes dicas de Literatura para o Enem.
As questões de Literatura fogem um pouco à regra dos outros vestibulares, que geralmente cobram especificidades referentes às chamadas Escolas literárias. Isso não quer dizer que você não precise estudar Literatura Brasileira, pelo contrário, pois o domínio do conteúdo ajudará em muito no momento em que você precisar estabelecer analogias e construir inferências para responder corretamente às questões. No mais, é preciso uma leitura atenta dos enunciados, que mesclam elementos visuais e verbais, exigindo do candidato os vários saberes acumulados ao longo da vida escolar. Observe uma questão de Literatura do Enem 2013 que exemplifica bem a dinâmica da prova:
TEXTO I
Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia, à praia, quatrocentos ou quatrocentos e cinquenta. Alguns deles traziam arcos e flechas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam. […] Andavam todos tão bem-dispostos, tão bem feitos e galantes com suas tinturas que muito agradavam.
CASTRO, S. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento).
TEXTO II
O descobrimento do Brasil, Cândido Portinari
O descobrimento do Brasil, Cândido Portinari. Óleo sobre tela, 1956. Disponível em http://www.portinari.org.br/#/acervo/obra/2551
Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de Portinari retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da leitura dos textos, constata-se que
a) a carta de Pero Vaz de Caminha representa uma das primeiras manifestações artísticas dos portugueses em terras brasileiras e preocupa-se apenas com a estética literária.
b) a tela de Portinari retrata indígenas nus com corpos pintados, cuja grande significação é a afirmação da arte acadêmica brasileira e a contestação de uma linguagem moderna.
c) a carta, como testemunho histórico-político, mostra o olhar do colonizador sobre a gente da terra, e a pintura destaca, em primeiro plano, a inquietação dos nativos.
d) as duas produções, embora usem linguagens diferentes – verbal e não verbal –, cumprem a mesma função social e artística.
e) a pintura e a carta de Caminha são manifestações de grupos étnicos diferentes, produzidas em um mesmo momento histórico, retratando a colonização.

Resolução
Alternativa “c”. A Carta de Caminha, considerada a certidão de batismo do Brasil e também o primeiro texto da Literatura nacional, destaca a visão do colonizador, que, tendo sido bem recebido pelos nativos, narra os acontecimentos sob um viés otimista. Na tela de Cândido Portinari, é possível observar que os nativos, em contraponto com a atitude dos portugueses, demonstram estar surpresos e espantados, além de aparentemente estarem em posição de ataque.
Você percebeu que para responder corretamente à questão é preciso estabelecer a relação existente entre a linguagem verbal e a linguagem não verbal da tela de Portinari? É interessante observar também que algumas proposições são semelhantes, o que pode induzir o candidato ao erro. Portanto, leia todos os elementos para compreender de maneira eficiente a finalidade das perguntas da prova de Literatura do Enem. Boa prova!
Fonte: http://vestibular.brasilescola.com/enem/dicas-literatura-para-enem.htm